Fim de um ciclo. Não foram 40 dias de internamento, mas 25 para nossa alegria. Mas quase um mês de muita experiência para ele. Resiliência, companheirismo, assertividade, administração de tempo, resignação, criar a habilidade do silêncio e proatividade são alguns dos aprendizados que percebi ele ter parado para pensar e colocado em prática. Educação emocional. O que para mim é um saldo extremamente positivo para um jovem de 18 anos.

O quartel funciona como uma empresa com seus meandros e códigos – nem sempre compreendidos -, mas que vão além do objetivo de “catar cricri”. São jovens que querem estar lá. Tem seus motivos, seus sonhos, seus arrependimentos, suas dúvidas. Mas, para ressignificar é preciso mudar a chave da rigidez e da amargura.

E nessa parte, me surpreendi. Ao ler outros blogs, curtir páginas de ex-soldados, fuçar na internet nos últimos dois meses encontrei uma confraria – não uma, mas muitos grupos distintos que demonstram seu amor pelo batalhão a qual serviram – com um comportamento rígido, quando não amargo. A maioria, relembra com saudosismo “daquele tempo”. Outros tantos, lembram do período como algo que se resumiu às atividades prosaicas como cortar grama, fazer faxina e tirar “cricri”. E me pergunto: não queriam estar lá? Um estudo de caso, sem dúvida.

Como já disse em outro momento, não acredito que nada é por acaso. Meu filho não tinha intenção de servir – mesmo com as brincadeiras constantes do meu marido que serviu no 20.° BIB, no Bacacheri, – nem cogitava essa possibilidade. Foi e ficou.

Difícil? Com certeza. Improvável? Não. Impossível de vencer? Nunca. “Tem que ter uma cabeça ‘forte'”, disse-me ele após o fim do internamento. Não é tão rígido quanto há 10, 20 anos atrás, com certeza, mas para um geração acostumada em ter poucas responsabilidades, muito “quereres” e a exigência de tudo ao seu tempo e espaço, com certeza, a experiência militar é algo inimaginável. Tempo restrito para comer e dormir; fazê-lo dentro de uma rotina determinada; exercícios físicos extenuantes que beiram ao limite de corpos pouco ou nada acostumados com o limite; aprendizados de situações prosaicas como manter o local arrumado e limpo; olhar o outro não como mero expectador; cumprir tarefas mesmo que nem sempre agradáveis são um ínfimo da rotina de um recruta.

E que serão vencidas, “um dia por vez” como também me pontuou. Sim, porque ele aprendeu que pode; ele aprendeu que é possível. “Tudo tem um início, um meio e um fim. Nada é eterno”. Quando eu ouvi isso, lembrei da minha avó. Ela gostava de dizer isso seguidamente. “Não há tristeza ou alegria que persista. Tudo ao seu tempo porque na vida tudo tem um início, um meio e um fim”. Digamos que é uma esperança. Afinal, aprendemos mais com as situações ruins do que somente com as que nos mantém na zona de conforto.