Quer saber como vive um recruta do Exército? Então, venha comigo nessa experiência que reproduzo através do relato da jornalista Victoria Fontana, uma das profissionais que participou durante os cinco dias do Estágio em Assuntos Militares, no quartel da 5.ª Divisão do Exército, no bairro Pinheirinho, em Curitiba.

A EXPERIÊNCIA

Com o Tenente Coronel Kron e a Tenente Rosso conhecemos as graduações na hierarquia do exército, a função de cada quartel na região Sul, a distribuição por regiões no Brasil, e as funções do Exército, segundo a Constituição Federal e aplicação na prática. Além disso, conhecemos, por meio de vídeo institucional, o Centro de Comunicação Social do Exército, em Brasília, e toda a sua extensão em setores de comunicação em outros quartéis. São feitas produções de flayers, gibis, revistas e rádio chamados “Verde Oliva”. São feitas produções de vídeos para redes sociais sobre curiosidades, formas de ingresso, datas comemorativas, todos postados no YouTube do Exército, e visto por mais de meio milhão de seguidores. Além de fotos e vídeos para o Instagram, local, do user “5de_oficial”. “É bacana seguir para saber mais sobre o trabalho do Exército aqui no Sul”.

Na sequência tivemos uma palestra com o Chefe de Negociações do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), Capitão Roncaglio, da Polícia Militar do Paraná. Ele nos explicou de que forma agem em situações de conflitos, através do atendimento do setor de negociações da PM, em casos de suicidas armados, sequestro, entre outros. Foi nos apresentado como são planejados os perímetros de segurança para a população e para os profissionais da imprensa. Também ouvimos exemplos de situações em que a imprensa interferiu no trabalho e acabou atrapalhando o serviço da PM.

2.° DIA DE TREINAMENTO

Iniciamos o aprendizado sobre Produtos Controlados pelo Exército (PCE), com Ten. Coronel Aguiar. As empresas fabricante de produtos como explosivos, fogos de artifício, armas, munições, blindagem de veículos, coletes balísticos, devem passar pela aprovação do Exército antes de serem comercializados, assim como o acompanhamento de cargas durante o direcionamento de importação e exportação. Segundo Coronel, o Exército tem um laboratório que faz os testes no protótipo do produto apresentado pela empresa.

Mulheres na Forças Armadas

Para falar das formas de ingresso e a participação da mulher nas Forças Armadas, tivemos a palestra com a primeira mulher a comandar as áreas de engenharias da 5• Divisão do Exército, Tenente Coronel Mayer. Segundo ela, nestes 22 anos como militar disse que não sofreu discriminação por ser mulher nem assédio, pois acredita que pela postura que adotou e pelos princípios do Exército, “disciplina e hierarquia” não possibilitaram abrir espaços para esses tipos de discussões. De acordo com a militar, atualmente, as mulheres representam 9% do efetivo das Forças Armadas no Brasil e ocupam diversas áreas como setores de engenharia, comunicação e saúde.

Para finalizar o dia, tivemos uma palestra com o General de Brigada, Aléssio Oliveira da Silva. Ele nos contou a experiência de ter feito parte as tropas do Batalhão Brasileiro de Força de Paz (BRABAT), enviadas ao Haiti, junto aos profissionais da imprensa internacional. Contou-nos do período em que foi chefe na Comunicação e produzia materiais tanto para o público interno quanto externo. Falou sobre o treinamento dos militares do Exército na relação com a mídia, por meio de entrevistas, ligações e publicações.

3.° DIA DE TREINAMENTO

Na quarta-feira, o aprendizado foi prático. Conhecemos a Polícia do Exército (PE), aos comandos do Tenente André. Cada “estagiário” recebeu um número, de 01 à 06, para nos fazermos sentir parte daquela experiência como “recrutas”. Colocamos capacetes e coletes e fomos apresentados aos armamentos e aos calibres utilizados pelas Forças Armadas e Forças Auxiliares (Polícia Militar e Civil). Depois da apresentação, fomos em um stand de tiro. Soldados treinados atiraram em diversas superfícies para vermos o nível de perfuração de cada armamento.

Vestidos com armaduras para gerenciamentos de confrontos urbanos, como a Garantia da Lei da Ordem (GLO), tivemos um treinamento sobre armas não-letais, como gás lacrimogênio, gás de pimenta, armas de tiro de borracha, entre outros. Cada “estagiário” teve a oportunidade de atirar, com ajuda e instrução do Ten. André, com uma arma de gás de efeito moral. Miramos para cima, atiramos e o “piiiin” no ouvido ficou por alguns segundos. Para quem nunca havia atirado, foi uma experiência marcante.

Em seguida assistimos o treinamento de policiais do exército em viaturas montadas. As motos como Harley Davidson são usadas para fazer a escolta de autoridades como o Presidente.

“É amedontrador”

Seguimos para a colocação de máscaras para entrar em uma câmara de gás de efeito moral. Fizemos fila indiana, um com a mão no ombro do outro e entramos e em segundos, saímos. Tiramos com cuidado as máscaras para não ter contato com o gás que era forte. Teve “estagiário” que sentiu arder os olhos por instantes. É amedrontador, pois ficamos com baixa visibilidade e usando uma máscara, que não estamos acostumados a usar, mas com toda segurança dos militares, foi tudo bem, mas desconfortável.

4.° DIA DE TREINAMENTO

Quinta-feira fizemos um passeio de conhecimento em dois quartéis do exército aqui, em Curitiba. Primeiro fomos até o Parque Regional de Manutenção 5, no Bacacheri. Lá, conhecemos o comandante da unidade, Coronel Ferrari, que contou sobre uma das principais funções do quartel com a linha de produção de coletes balísticos para o exército, barracas e reforma dos blindados.

Quanto aos tanques são recebidos por doações do exterior ou de outras unidades nacionais. Eles passam por sete galpões, onde militares especializados, entre eles sete civis, atuam na desmontagem, limpeza, reforma, pintura, montagem e testes dos blindados. É um dos locais mais organizado e limpo que já conheci, se tratando da parte de mecânica de veículos. Tudo enumerado, alinhado e ordenado.

Na sequência, fomos ao quartel 20• Batalhão de Infantaria Blindada (20 BIB), também no bairro Bacacheri, e recepcionados pelo Subtenente Marcelo. É um dos quartéis mais antigos da região e histórico. Durante o passeio, vimos estátuas de heróis no Exército em batalha, e um carro, em exposição, usado na missão de paz da ONU.

O caçador do Exército

Tivemos uma palestra com o Tenente Wendel sobre a função de caçador no Exército. É um militar que se especializa em tiros precisos, com decisões subjetivas no que diz respeito à tiros certeiros, ter técnica em tiros de longa distância com armamentos pesados, ter capacidade de se esconder para sobreviver, além de bom porte físico. Esses são alguns requisitos para ser um conhecido como “sniper”.

Depois da explicação história e técnica, fomos a campo para tentar encontrar um militar caçador. De fato, não encontramos. Mas foi boa a experiência.

Em seguida, demos um passeio emocionante de blindado. Os comentários ao final do passeio eram “podemos ir de novo?”.

Como última atividade do dia, experimentamos a “ração militar”. É um alimento estudado por nutricionistas para a alimentação dos militares que vão a campo ou participam de missões. É um pacote com cardápios variados: refeições para almoço, lanches, café, barras de cereais, café, sal, açúcar, entre outros. Experimentamos o kit do almoço que continha arroz, feijoada e frango com batata. Muito bom e temperado.

ÚLTIMO DIA DE TREINAMENTO

Enfim chega a sexta-feira (5). Último dia de atividades. E o aperto no peito da despedida.

Tivemos a última palestra com a jornalista Daiane Andrade, que participou junto ao Exército da Missão de Paz, no Haiti. Ela ficou na última semana das tropas brasileiras no país. Fez reportagens para a rádio Bandnews SP e fotografou algumas cenas que foram mostradas durante a palestra. Daiane nos contou sua experiência pessoal e profissional, o que nos ajudou a ter a sensação de que estivemos lá. Em meio ao relato, a história daquele povo sofrido, e da miséria em saneamento básico, coleta de lixo e fome.

Para encerrar, participamos da formatura militar em celebração do 128 anos da 5• Região Militar. Cerimônia linda, com música, desfile e gritos de guerra em homenagens aos Heróis do Cerco da Lapa.

Como forma de retribuir, nós jornalistas participantes Victória Fontana (eu), Giselle Ulbrich, Fabiana Wantuch, Daniela Sevieri e Alexandra Fernandes fizemos um texto de agradecimento a todos envolvidos, principalmente ao Ten. Coronel Kron, Tenente Rosso, Tenente Denise, Sargento Gustavo, Cabo Max, Cabo Cristian e Soldado Lourenço.

Texto de agradecimento:
“Para nós mulheres, o Exército não é algo corriqueiro, que faça parte da rotina das nossas vidas. Como jornalistas nem sempre conseguimos idealizar e transcrever o que é a vida e a carreira militar! Note-se que ambas se misturam, posto que não há como ter carreira militar sem amor à farda. Então, de fato, percebemos que a vida do militar vai muito além dos portões dos quartéis, do verde oliva da farda. É como um dom. Amor pela Pátria e por esse país que nem sempre reconhece a importância dos seus. E diria, quem mais além dos militares amam a pátria a ponto de dar a vida por ela? Por esse motivo vocês são tão especiais, porque cuidam do nosso Brasil como cuidam de si próprios e de suas próprias famílias… Nesse último dia de curso queremos agradecer imensamente a atenção, o respeito, e o carinho em nos receber e nos contar um pouquinho do que é a vida verde oliva!
Hoje tenho certeza que o Brasil está seguro, pois temos na linha frente nossos heróis de verde!”