São muitas coisas que acontecem. Dia a dia. Hora a hora. E nem sempre dá tempo de escrever ou até mesmo rende um texto daqueles recheados de detalhes. Sim, textões são os meus preferidos. Mas, não quero perder os registros de momentos que podem parecer banais agora, mas daqui a alguns anos vão fazer a diferença!

Nos cortes, recortes e desvios dessa vida chamada Mundo Verde os sentimentos são os que mais prevalecem nesse momento. Às vezes – e são muitos – paro para pensar do motivo de tanta intensidade. Nem sempre consigo chegar a uma resposta racional.

E lembrei de um livro que li há algum tempo.  “Existem dois legados que podemos deixar para nossos filhos. Um deles, são as raízes. O outro, asas” . Vamos deixá-los ser pipa. Voar em liberdade, e mostrar que estamos aqui simbolizadas pelo tênue fiozinho. Que sonhos a pipa carrega? Que altura ela quer atingir?

Todos estão cansados, de alguma forma, e tudo isso mexe com a gente. Viemos de dois fins de semana com atividades intensas. Mudanças de rotina. Missões distantes. Falta de informação e contato. Primeiro o Juramento da Bandeira e no último, o desfile de parte dos soldados do 5.°GACPAC, em São José dos Pinhais. O próximo é o ápice, o desfile de 7 de Setembro.

São missões diversas que cada um dos que participaram levarão na memória sua experiência. Foram mudanças ao longo desses seis meses. Uma delas, é que o Bruno mudou de OM (organizações militares) e sua rotina também sofreu diversas alterações. Uma delas foi o distanciamento do grupo. (isso vale outra postagem para discutir pertencimento, companheirismo e por aí vai)

E mais do que nunca penso que é preciso refletir. Os novos soldados – deixaram de ser recrutas quando juraram à Bandeira – estão de “boa” como a gíria e a linguagem informal dessa época lembra que “tudo está tranquilo, sossegado, sem problemas”. Está sendo fácil? Não, com certeza, dependendo da personalidade de cada um; da resistência física; da maturidade emocional e, principalmente, da vontade de estar naquele ambiente.

E esse momento de reflexão não diz respeito a esses homens adultos que se descobriram durante esse ritual de passagem. O problema tem sido as mães que nem sempre entendem que o controle não é mais delas.

Eu sou mãe (é claro!). Chorei, choro e me preocupo com situações que não tenho e nunca terei controle dentro do quartel. Mas, e aí? O mundo vai acabar? Vou permitir ficar depressiva? Não! Definitivamente, não. Somos seres únicos, com vontades e dificuldades. Que amamos demais, que sentimos demais e que, acima de tudo, somos inteligentes em permitir o voo de quem vai continuar sendo filho. Só cresceu! Esse mundo paralelo é um aprendizado dia a dia, mais para nós que estamos do outro lado do muro do que para eles, que estão lá dentro, diga-se de passagem.

É hora de pé no chão. O amor de uma mãe nem sempre é incondicional lembrando que o significado léxico é integral, absoluto e imperioso. Em muitos casos, o amor maternal carrega uma cota de vitimismo, de sofrimento e de limitações. Frases como “vivemos por eles” e “vivemos para eles” devem ganhar uma nova conotação para o bem de todos com “vivemos com eles”. É saudável de outra forma? Nunca. O cinema e a literatura tem dezenas de filmes que retratam essa influência de mães controladoras.

E o que é uma mãe controladora? Na psicologia, aponta-se alguns aspectos como uma pessoa que “tenta vigiar cada passo do outro” A saída seria de que o outro lado – no caso, o filho – deve ser assertivo porém afetuoso a fim de estabelecer limites. No entanto, nem sempre a mãe no caso vai entender isso como uma atitude madura, mas como uma forma de distanciamento e desamor.

Nossos filhos aprendem a se relacionar através do exemplo que os pais demonstram, desde quando são pequenos. Isso é fato! E conforme o espelho, o reflexo na vida adulta pode ser tóxico.

Preocupar-se com o futuro dos filhos é uma ação natural. Porém, quando essa preocupação se torna tão grande a ponto de gerar muita angústia ou ansiedade, é hora de rever essa maneira de pensar.

E o que se vê do outro lado? Um adulto silencioso. Silenciar emoções e não contar detalhes é um código inteligente para criar menos conflitos. Serve para proteção e para agradar a mãe que não vai entender que sim, ele cresceu e tem sua própria opinião.

Outro conselho, e não é meu, porque vira e mexe especialistas lembram o quanto é importante evitar depositar muitas expectativas no outro. Cada ser humano é único e tem o direito fundamental de se expressar e viver como se é de verdade. Pensem que com o filho é da mesma forma porque nenhum gostaria de ser responsável pela não concretização de um sonho materno, por exemplo. O ter obrigação de seguir um sonho ou uma história que não foi sonhada por ele, pode ser algo muito frustante.

O que tem significado todas essas mudanças e o que nós, mães, estamos fazendo para crescer como pessoas? Fica a reflexão.