É mais do que nome de música para uma família de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Quando a letra pontua que a família é “muito unida”, a expressão ultrapassa o léxico e se transforma em símbolo de um exemplo que o Luiz Marcelo Pereira, 46 anos, aprendeu com seu pai, ensinou para os seus filhos e tem para nos deixar. E que exemplo!

Para os Pereira, a empatia e solidariedade vem de berço. O pai, Marcelo, é socorrista voluntário há 27 anos. E os filhos Isabela, 26 anos, e Marcelinho, 16 anos, estão na esteira da doação do tempo para os outros. O pequeno Felipe, de 3 anos, está de olho. Completa 4, no dia próximo dia 21. Essa tradição vem de longe. Lá do avô, funcionário do Banco do Brasil, de uma cidade do interior do Paraná, e socorrista voluntário também.

Marcelinho, Isabela e o pai.
O pequeno Felipe e o irmão.

E que lembrança, não é mesmo, Marcelo? Criança, mais ou menos da idade do Felipe hoje, ele começou a entender o que era ajudar o próximo. Nas viagens do interior para a capital, infelizmente, sempre tinha acidente. E a mãe, Cleusa, pedia para o marido, Wilmar, parar e prestar socorro. Diante de um cenário de dor, Marcelo aprendeu a ressignificar. Foram os primeiros passos do que ia virar destino. “Ao invés de me machucar, me incentivou e me apaixonei por essa área. Quis virar um socorrista para ajudar pessoas em um momento tão horrível. E tenho certeza de que é esse o mesmo pensamento que meus filhos têm desde o dia que aceitaram a prestar o mesmo papel“, me conta.

E, claro que o ganha-pão de Marcelo não podia ser diferente. Ele é instrutor socorrista, responsável em formar profissionais na área de atendimento pré-hospitalar. Homens e mulheres que vivem a rua e salvam vidas.

Como socorrista voluntário, Marcelo montou a ONG Resgate Voluntário Parceiros da Vida, em SJP. Em 2007, o município reconheceu o projeto como de utilidade pública. Atualmente, são 15 socorristas. O projeto tem um sonho: conseguir uma viatura para atendimento.

O Marcelinho é menor aprendiz na ONG – assim como foi Isabela lá atrás – e, recentemente, passou pela sua primeira experiência marcante. No último domingo, dia 2 de agosto, ele e o pai estiveram em atendimento às vítimas do trágico acidente da BR-277, onde oito pessoas morreram. 22 veículos se envolveram na situação. E pai e filho estavam lá. A filha não foi porque estava sem carro para chegar ao local.

O adolescente tem o desejo de ser um oficial do Corpo de Bombeiros ou médico para ajudar cada vez mais pessoas, lembra o pai. Com o mesmo treinamento recebido por um socorrista, o filho está no caminho certo. “Aprendendo a salvar vidas.

E, ao seu lado, mantém a família. A filha Isabela, inclusive é casada com um bombeiro. “A oportunidade de ter meus filhos ao meu lado, é magnifica. Segui o exemplo do meu pai, e meus filhos da mesma forma“, diz orgulhoso.

Por isso, a importância de ser espelho. Para os seus e para os outros com os quais teve a oportunidade de ensinar e salvar. Marcelinho esteve diante de um cenário de guerra, mas, com certeza, aprendeu muito. O pai lembra da necessidade de manter o senso de rua e procurar não absorver a energia do local e das pessoas. “É preciso ter foco para cumprir um objetivo”. O profissional acredita que as crianças são esponjas e absorvem tudo, por isso a importância do aprendizado e prevenção.

No domingo, foi o enterro do pai do Marcelo. E, mesmo assim, o senso de cidadania o levou para a rodovia. Ele e o filho estavam a postos para ajudar a salvar vidas. Ele, e tantos outros profissionais envolvidos, ajudaram filhos voltarem para os pais, assim como pais voltarem para os filhos.

São nesses momentos que damos valor a vida, e agradecemos cada minuto por estar vivo. Temos que agradecer sempre porque não sabemos o amanhã.

Feliz Dia dos Pais!