Em três anos do projeto @bizudemae, carrego comigo o sentimento de muitas mães dentro de uma caixinha. No interior daquela que dá a vida para o outro, tem muitas realidades e muitas transformações quando se fala em serviço militar, e isso me instigou a criar um depositário de emoções quando me vi nessa posição e percebi o quanto era difícil para muitas mães passarem por essa transição. Se essa mãe for capaz de se abrir para o crescimento, ótimo, é uma vitória coletiva. Caso contrário, será uma repetição de mais do mesmo, sem resultados. E é preciso falar disso.

Simbolicamente, a todo momento me disponho a ser a contadora de histórias da vida real. E se engana quem acha que o projeto tem o objetivo de falar sobre militarismo. Ou que é somente para falar coisas boas. Não. Quero falar de mundo real, de pé no chão e como lidar com mudanças através da boa informação.

São 178 mães que até então o projeto acolheu nessa caixinha. Fora as que ficaram à parte e acompanham as mídias. E como análise de comportamento é algo fantástico, meu olhar percebe que nem todas entendem, nem todas se transformam junto à realidade do filho que vai servir. E por diversos motivos. Mas, tem a maioria que em poucos meses se surpreendem com mudanças e entendem o caminho. Ponto para o projeto e para todas as mães que agregam e se permitem a compartilhar. Nesses três períodos de acompanhamento, é facilmente perceptível os sentimentos únicos, o que é espelho e o que não agrega em nada. As saudades são de todas; o medo é de boa parte delas; a falta de confiança são de poucas que ainda teimam em ver seus filhos, jovens adultos, como crianças de 5. série. Sim, mães, eles precisam crescer na “dor ou no amor”.

E se por um lado têm aquelas que vem a exposição de realidade como grossura, a informação idônea – sem firulas, sem pieguices – como mentira porque não faz parte das buscas de google em sites não tão confiáveis, tem quem entenda e se fortaleça com o conteúdo que ajuda a descortinar o desconhecido. Quem está aqui fora é somente espectador. E, assim, o projeto não vê o acalento como perpetuar de comportamentos infantis; não percebe o crescimento com a exposição de situações que não somam a nada e a ninguém. Aquilo que não traz soluções não interessa. Tem mães que me perguntam: “puxa, meu filho está bem, está se adaptando, será que tem algo errado comigo?”. Com certeza, não. Diante das orientações iniciais que todas recebem, isso só significa que o filho consegue perceber a realidade e aprender o significado de resiliência, e a mãe se permite ter a capacidade de olhar além do protecionismo. Ponto para ela!

E diante de tantas histórias – e são muitas, boas, nem tão boas, ruins e péssimas – o objetivo é resolver por partes cada queixa, cada dúvida, cada ansiedade. Assim como os filhos, cada mãe aprende que cada coisa tem seu tempo. Que as decisões devem ser tomadas pelo filho. Somente a ele cabe avaliações da realidade que vive. Que cada ato tem uma consequência. E que não depende mais dessa mãe. Difícil, mas não impossível quando se aprende a racionalizar e entender as regras.

E nesse administrar de emoções, certezas nem tão certas por parte de quem vê a perda do controle, das inseguranças e medos, do perpetuar de atitudes que não agregam para o crescimento do outro, eu me surpreendo a cada dia com relatos que recebo. Da mãe que percebe a necessidade da sua mudança para acompanhar seu filho nessa nova jornada. Da mãe que percebe o quão difícil está sendo e nem imaginava ter que ficar semanas longe do filho, sem notícias. Da mãe que entende o quanto era permissiva até então e precisa ouvir o filho chorando e reafirmar que ele pode tudo. Só querer.

Entre essas histórias reais têm duas que chamam a atenção pela mudança. Rápida e assertiva. E que torço para seguir. Tem a do filho que após 15 dias de internato, conseguiu perceber que família é tudo e que o sentar na mesa para tomar um café é o que mais deseja junto com os seus, diferentemente do que vinha fazendo quando amigos e festas eram os melhores e as desculpas eram mais frequentes. E da mãe que ouviu do filho, depois de 17 dias sem notícias, que foi o tempo suficiente para ele entender que a vida não é fácil, que existem limites, mas que é possível vencer dia a dia. “A saudade não é o pior, mas sim sobreviver em meio aos obstáculos.” É quando se entende que amor não é superproteção. Que ajudar não é fazer pelo outro. Que aprender é exclusivo. E que todos estamos aqui para ensinar. Essas são ocasiões que se percebe que diante do choque da realidade, tem aprendizado. E que bom, porque permite o crescer junto com o filho. Nem a frente, nem atrás. Mas, ao lado deles para a troca de carinho e respeito. Nunca é tarde para começar.