São quatro anos de uma jornada intensa, “maluca” e rica em experiências. De alegrias e tristezas divididas. Até fico sem fôlego em alguns momentos. Em outros, fico estupefata com algumas histórias. Mas, acima de tudo, constato cada ano mais a necessidade de fortalecimento e crescimento emocional por parte de mães que precisam ser esteios para os filhos, e se perdem em meio as emoções diante de um desconhecido que invade a vida, de uma hora para outra. E no entrar e sair de ano, constato que o Bizu de Mãe é um projeto único e contínuo que faz esse trabalho com as mães de diversos estados e realidades em prol de um único objetivo, que é o de cumprir o Serviço Militar Obrigatório de cada ano. Vai muito além do sofá.

E diante dessa expertise, as histórias diárias traçam perfis, buscam sentimentos que até então eram desconhecidos ou guardados porque quartel é gatilho, mostram infantilidades que às vezes você para e pensa: como é possível? Mas, é muito possível, sim, e cada ato terá uma consequência futura se não houver a mudança da chavinha. Tem quem participe e, mesmo assim, a informação entre por um ouvido e sai pelo outro. E tudo bem. Perde quem não quer evoluir. E tem as grandes surpresas de mulheres que rapidamente entendem muito bem o que são mudanças. E é bonito de ver!

Nesse período de 48 meses, ininterruptos, percebo não só a fragilidade emocional de mães e filhos – só ver tantas alterações dentro dos quarteis que levam a baixas muito antecipadas por problemas psicológicos – mas a física também. E como diz um major, do serviço médico de uma base americana, “o esqueleto do soldado da geração Nitendo não é fortalecido por atividades antes da chegada (ao exército), então alguns deles quebram mais facilmente”, ao se referir aos efeitos do sedentarismo que causam lesões desde fraturas agudas a distensões musculares. E nesse pacote, que sai do fisico imposto pelos limites, vem os problemas psicológicos causados pelas frustrações confrontadas ao fantasiar o verdadeiro objetivo do Exército Brasileiro.

E as novidades, em todos os quesitos, vêm dos relatos de longe, quando apontam mudanças que causam um ponto de interrogação. Internato não contínuo com saídas semanais; permissão de visitas aos domingos; uso do celular na grande maioria dos locais, de Norte a Sul, e até casos de familiares bebendo em ambiente militar. Sem contar, casos de mães que vão levar frutas, bolachas e doces na portaria do quartel igual hotel. Tem alguns comunicados que dão conta para não exigir redações noturnas e amolecer nas ordens. Muito chororó e pouco foco no que realmente é carreira militar, distinguindo racionalmente o que treinamento e o que é excesso. C’est la vie! Para quem quer seguir carreira militar e quer estar lá, muito mais ônus do que bônus diante de situações assim que perdem o foco e deixam cada vez mais frágeis quanto o assunto é treinamento físico e psicológico.

Ao ouvir veteranos que passaram por tudo isso de uma forma muito mais intensa, que seguiram a carreira militar ou desistiram no meio do caminho, isso faz parte de um conjunto de fatores. Mas, o principal deles – e opinião de um veterano, psicólogo – é o sedentarismo e a permissividade da família que “deixa para lá, não vou esquentar a cabeça para brincar ou levar meu filho para sair e o deixar experimentar. Deixa em casa, comendo um monte de besteiras, em frente a televisão ou de um console, jogando.” Sem refletir sobre a vida, sem ter oportunidades de passar por frustrações, dores e negativas, sem experimentar a vida.